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CONSIDERANDO A REELEIÇÃO PARLAMENTAR UM PROBLEMA, SERIA ESSE INSTITUCIONAL OU CULTURAL? - 26/05/2015

Há uma grande preocupação de alguns críticos em relação à reeleição do chefe do executivo, porém muito pouco se fala da reeleição dos parlamentares.
Pelo menos de um modesto ponto de vista, a reeleição dos parlamentares é a grande responsável pelo afastamento do representante popular dos meios que ele representa, impedindo que ele lute em favor dos interesses comum desse grupo, o que fere sua própria função social.
O que ocorre nas reeleições parlamentares são representantes populares se perpetuando no poder após anos e anos de reeleições.
Essa perpetuação gera uma série de efeitos, entre eles, o distanciamento do representante da realidade social do representado, o que acaba ferindo o objetivo do instituto.
Como exemplo, poder-se-ia citar o caso do Deputado Federal, mas para que se torne mais latente a reflexão, note o Deputado Estadual, que antes de ser eleito convive com a realidade da sua região, com a deficiência da educação, da saúde, da segurança pública, etc., após ser eleito a primeira vez, cambia seus hábitos para a capital, aumenta seu poder aquisitivo, o que fatalmente diminuirá a incidência dos problemas sociais relatados a cima.
Após ganhar a segunda eleição e assumir o segundo mandato, o parlamentar já se encontra ainda mais distante da realidade social dos seus representados, pois está mais relacionado com outros grupos sociais, cada vez menos comparece no ambiente em que o elegeu, já desfruta de uma estabilidade financeira favorável, já passa a morar na capital em condomínios de luxo, frequentar hospitais preparados para a classe alta, ter segurança privada, não sentindo falta do sistema educacional, pois não precisa disso para se manter em sua condição.
E quanto mais vezes é reeleito, mais vai se adaptando a essa vida sem dificuldades (ou à outras dificuldades) e acaba tendo outro grupo de convívio social, que são formados por pessoas que também desfrutam de uma estabilidade financeira, mora na capital, vivem em condomínios de luxo, frequentam hospitais classe alta e também possuem segurança privada.
O efeito dessa restruturação da vida do parlamentar acabe lhe trazendo outros problemas sociais, outras preocupações, ele passa a se preocupar com o novo grupo, o novo local, as novas pessoas e age como se esquecera que está ali representando um grupo que vive longe da sua nova realidade.
Talvez isso justifique porque os Parlamentares aprovaram a construção de um Shopping na Câmara dos Deputados Federais. 
Provavelmente, os parlamentares totalmente habituados com o convívio em Brasília, ou com a vida cheia de facilidade, sentiram necessidade de melhorarem a qualidade de suas vidas no local onde eles transitam, que não é mais os locais onde transitam os seus representados.
Voltando a reflexão ao Deputado Estadual, esse, por sua vez, muda a estrutura da sua rotina, via de consequência, muda a sua forma de ver o mundo, com efeito, muda sua forma de ver os problemas sociais de seus representados.
Seria um problema causado pela reeleição ou pela imaturidade do eleitor?
Será que o eleitor não percebe que aquela pessoa que ele elege para representa-lo não faz mais parte do seu convívio social? Não conhece mais suas realidades, não passam mais por suas dificuldades e que a sua luta agora é outra?
A princípio a resposta pode ser sim, mas a habituação do parlamentar em seu novo grupo social fica tão acentuada que chega a um ponto, após várias e várias reeleições, que ele se quer precisa daquele primeiro grupo social que o elegeu pela primeira vez, em muitos casos, acabam se reelegendo por força do novo grupo do qual frequenta.
Essa reflexão pode conduzir a conclusão de que o problema seria a reeleição parlamentar, o que conduziria novamente a uma crítica à própria democracia, na medida em que impedir a reeleição seria o mesmo que impedir que um grupo de pessoas elejam seu representante (independentemente se esse já os representou outra vez).
Em uma democracia plena não se pode impor limites à vontade do povo, o que significa dizer que o povo tem o direito de eleger e reeleger seu representante.
Em que pese uma possível critica a democracia, não se pode deixar de lado que o distanciamento do Estado da vida privada do cidadão só poderia se dar por meio de uma democracia, que nada mais é que o povo defendendo o interesse do povo.
Ainda que a democracia brasileira se resuma em um Estado que defenda o interesse do Estado e esquece que esse é o próprio povo, ela se faz necessária, pois é por meio dela que o povo, em um estado de amadurecimento democrático, possa entender que reeleger um representante que está distante de sua realidade social é o mesmo que não exercer sua cidadania.
Autor: Alexander Fabiano Ribeiro Santos
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